Existem diversas imagens, rabiscos, traços, idéias que jamais deveriam ser vistas por outras pessoas, são seus e só por você devem ser vistos, você arquiteto. Sendo somente por você entendidos, coisas brutas, naturais...
Bem como existe o outro lado, aquilo que ao ser percebido deve ser revelado. Diversas imagens e fatos que precisam ser desnudados, fatos estes que ao serem aprisionados carregam sentimentos, opiniões, certo ar de beleza mesmo e cenários que beiram o caos total, um belo que surge da apreensão do grotesco do horrendo, de uma naturalidade tão irreal quanto vistas e vividas por muitos.
Frutos de dinâmicas próprias ao comportamento da sociedade que se constrói e se aniquila, que de maneira injusta se articula de modo a segregar, excluir incluído grupos para que nem percebam seu estado de marginalização e periferização, criando assim paisagens fragmentadas, destrocadas e distorcidas, desiguais, mas que nesta sociedade são postas a conviver como realidades irmãs. Em um mesmo caminho realimentando o próprio sistema que as criou.
É neste momento que aquele que apenas observa deve tomar maiores cuidados para não cair na tentação de “vivenciar a realidade do local” afinal não passa de observador que por mais que, talvez sim ou não, sinta profunda dor não sabe como é viver esta dinâmica. Mesmo vivendo na sociedade fragmentaria que as forma, pois é um ser humano que sente e tem opiniões e foi construído durante anos e vai se envolver com o que observa.
E mesmo que pareça um paradoxo nestes espaços, em meio a tais adversidades em busca da sobrevivência se vê o despertar do espírito de humanidade e união. Este é o ponto chave sobrevivência, ninguém deveria ser obrigado a enfrentar uma cruzada por dia para sobreviver, mas sim viver, desfrutar da cidade e do que ela produz, mas essa não é a realidade que se apresenta.
O espaço da cidade que se apresenta é fruto do modo de produção que está inserida, e este que produz seus próprios pilares, que são a pobreza, segregação sócio-espacial, fragmentação e acumulação de bens serviços, etc., disseminando que apenas o ter, o sentimento de que se pode tudo, até mesmo participar da vida política e retirar um presidente, sem se dar conta de uma marginalização crônica e continua com a propaganda de melhorias de vida pelo trabalho, sem dar condições para que se possa trabalhar, estudar, ter saúde cultura, educação, moradia, sem nada. Originalmente publicado em, 30/08/2018: http://arquitetura-ap.blogspot.com.br/







