terça-feira, 19 de maio de 2015

Imagens e Opiniões



Existem diversas imagens, rabiscos, traços, idéias que jamais deveriam ser vistas por outras pessoas, são seus e só por você devem ser vistos, você arquiteto. Sendo somente por você entendidos, coisas brutas, naturais...



Bem como existe o outro lado, aquilo que ao ser percebido deve ser revelado. Diversas imagens e fatos que precisam ser desnudados, fatos estes que ao serem aprisionados carregam sentimentos, opiniões, certo ar de beleza mesmo e cenários que beiram o caos total, um belo que surge da apreensão do grotesco do horrendo, de uma naturalidade tão irreal quanto vistas e vividas por muitos.


Frutos de dinâmicas próprias ao comportamento da sociedade que se constrói e se aniquila, que de maneira injusta se articula de modo a segregar, excluir incluído grupos para que nem percebam seu estado de marginalização e periferização, criando assim paisagens fragmentadas, destrocadas e distorcidas, desiguais, mas que nesta sociedade são postas a conviver como realidades irmãs. Em um mesmo caminho realimentando o próprio sistema que as criou.


É neste momento que aquele que apenas observa deve tomar maiores cuidados para não cair na tentação de “vivenciar a realidade do local” afinal não passa de observador que por mais que, talvez sim ou não, sinta profunda dor não sabe como é viver esta dinâmica. Mesmo vivendo na sociedade fragmentaria que as forma, pois é um ser humano que sente e tem opiniões e foi construído durante anos e vai se envolver com o que observa.

E mesmo que pareça um paradoxo nestes espaços, em meio a tais adversidades em busca da sobrevivência se vê o despertar do espírito de humanidade e união. Este é o ponto chave sobrevivência, ninguém deveria ser obrigado a enfrentar uma cruzada por dia para sobreviver, mas sim viver, desfrutar da cidade e do que ela produz, mas essa não é a realidade que se apresenta.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Residência Carvalho-Magalhães

  O lote encontra-se situado na expansão do Bairro Marabaixo, na Zona Oeste da Cidade de Macapá, as margens da Lagoa dos Índios, cujo relevo possui suave declividade e a paisagem mescla um campo alagadiço, com vegetação formada majoritariamente por palmeiras, capins e arvoredos, e ocupação humana, pouco regulada nos bordos do lago com construções simples. O lote em questão está posicionado com uma inclinação suave do eixo Leste-Oeste, e a ventilação predominante provem da direção Nordeste cortando a edificação transversalmente a sua maior fachada.

O programa de necessidades foi distribuído em dois blocos retangulares conectados por um volume central, mais baixo e quadrático, criando uma simetria visual, sendo um dos retângulos o setor íntimo, o outro retângulo setor de serviços e o volume central o setor social, que articula toda circulação da residência. Essa disposição permite maior privacidade para os futuros moradores.


 A  paisagem onde o lote está circunscrito e nos faz um convite a contemplação e a releitura crítica das construções ribeirinhas, que muito bem aproveitam as características naturais da região. Este projeto valeu-se ao máximo do uso da ventilação e iluminação natural, ampliando-se o pé-direito com o uso de forro acompanhando a inclinação do telhado, controle do excesso de luminosidade com beirais prolongados.

      
            Lançando mão da simplicidade típica da região, e negando qualquer espetacularização formal, na busca de um espaço próprio, singelo e familiar, assim  programa de necessidades foi distribuído de forma objetiva, sintética, primando pelo conforto e economia da construção.